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.: Chupar fronha é meio de vida de muita gente :.
(Mário Firmino)
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Cultura é algo que vai além do conhecimento puro e simples. É algo que acrescenta textura, suavidade, tato àquilo que aprendemos intelectualmente. Envolve o lado artistico, a percepção das pessoas. Para mim, em particular, culinária, música e livros são ítens básicos.
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As Imagens São Infinitas PDF Imprimir E-mail
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Por Administrador   
08/06/2005
Dafne Sponchiado
O pequeno sobrado atrai hoje muito mais as atenções do que quando morei lá, há mais de 20 anos. Naquela época, a vizinhança se parecia. Cravada entre prédios espelhados, que abrigam empresas de telecomunicações e trasgenia, minha ex-república sobrevive custosamente. A ausência de sol na tarde de abril só tornava o dia mais propício a nostalgias. A casa fica na General Osório, no coração do Cambuí, o bairro que abriga metade da elite campineira.
Entrei na UNICAMP em 1981, em física. Apenas duas semanas após o início das aulas eu já estava morando no sobrado; afinal, vindo do agreste nordestino, era necessário que achasse uma casa logo. Casa não, melhor dizendo: lar. Com a renda mínima de bolsista, eu pagava minha parte das contas. Todavia meses e meses pagaram por mim, quando eu ia visitar a família ou quando mamãe ficava doente.

Oh! A Roseira vermelha continua no jardim de entrada. Mas está tão fragilizada, tão sequinha! Talvez não volte a florescer. Está necessitada de cuidados, só que, nesses novos tempos, ninguém lembra da Roseira.

Morei com joão, josé e antônio antes de me mudar para essa cidade escura e ditada por sobrenomes. Há 23 anos passei a morar com Ricardo, Pedro Henrique, Márcio e Carlos. Nos quarto tocávamos Beatles, cantávamos Chico e, finalmente, explodíamos com "Alegria, Alegria". Havia pôsteres nas paredes, uma bandeira com o rosto do saudoso Ernesto Guevara de La Serna na porta.

Cada morador ouvia seus artistas preferidos. A música tocava incessantemente, indiferente às reclamações do simpático casal de velhinhos que morava na casa da frente. Elis, Gil, Jethro Tull, Gonzaguinha, Cartola, Led Zeppelin, Mutantes, Bethânia, Carpenters, Bach, Paganini. A mistura era imensa, mas escutável.

Tempos. Tudo muda. Às vezes ainda me pergunto se para melhor. Aletra do samba-canção é outra.

No meio dos prédios espelhados, o sobrado prende a atenção dos trausentes. Espelhados por quê? Afinal, não há nada para se refletir quando o sol está tapado pelas nuvens da modernidade. Naquela época, quando comíamos pão de groselha para enganar o estômago, o sol não aparecia, pois era tapado por uma grande Mão peluda e nojenta. Agora que a Mão se vai, tapamos de novo esse fabuloso astro?

Talvez a casa seja só uma, nem chame tanta atenção. A Roseira morrendo, a fachada azul desbotada, a porta de carvalho. As janelas suficientemente pequenas.

"Pare o táxi". Desci em frente da casa. O chão quase tremia com o movimento de fim de tarde. Eu ouvi, juro que sim! Vozes vinham de lá de dentro. Entrei. E o engenheiro "pode derrubar". O velho sobrado daria lugar a uma moderna e aconchegante casa de shows. Por ali voltariam a passar todos aqueles que ouvimos uma vez! Mas seria demolido...

E o operário "O sinhô ta bem?" e o engenheiro "Por favor, se retire". Um antigo ídolo diria "to old to rock and roll". A casa estava ultrapassada, muito velha para viver ali entre os prédios. Foi nesse instante que entendi o que García Márquez tentou me dizer no meio de uma página: Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas, e que, graças a esse artifício, conseguimos suportar o passado.

Eu já não era tão jovem e agora sabia. O que foi dito e vivido lá, ouvidos no meu quarto, estariam na minha memória para sempre. E logo, sem a casa no meio para atrapalhar, as imagens seriam infinitas.

Dafne Sponchiado Firmino sa Silva
Esta redação rendeu a Dafne uma nota dez, que apenas alguns poucos alunos conseguiram antes, nas unidades do Colégio Integral.
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